Eu… Eu mesmo

Eu… Eu mesmo

Muito ruim falar de si… mas vamos lá. Vou tentar ser breve.

Nasci em São José do Campos, interior de São Paulo. Cresci em contato com uma forte religiosidade cristã, o que com certeza moldou muito meu senso moral e influenciou minhas decisões em várias etapas da vida. É importante tocar neste assunto (fé cristã) porque foi na igreja que realmente me interessei por música e foi pela música que me libertei da igreja. Pois é… Interessante o movimento da vida.

Na infância e adolescência, recebi uma educação modesta, típica de um garoto brasileiro filho de pedreiro e cozinheira. Estudei em escolas públicas e tive contato com o trabalho desde de muito cedo. Só não me adaptei ao preço da vida de assalariado, e foi justamente a música que me ajudou a criar soluções autônomas para pagar as contas.

Se na adolescência a igreja católica me aproximou da música, como já adiantei, foi a música e os amigos que ela me proporcionou que refinou minha crítica existencial, tornando-me uma pessoa não crente, pelo menos até o atual momento. Parece desnecessário falar disso, mas pra mim é importante, pois a música na minha vida conecta tudo: amizades, afeto, relação amorosa, trabalho, aventuras e principalmente a religião. Embora não pretenda entrar em detalhes agora sobre a questão da religião na minha vida, fica aqui exposto que este assunto tem sim relevância.

Mas vamos lá! Segue uma apresentação resumida da minha caminhada musical.

Infância

Cresci vendo um tio tocando música sertaneja. Ele tocava violão e cantava mas não me lembro de na infância ter curiosidade ou interesse por tocar. Tenho algumas lembranças de brincar com uma bateria velha e toda quebrada e de um tecladinho onde tentava tocar alguma melodia. Mas não me prendia muito, me interessava mais por jogar futebol e brincar com os primos.

Aos 9 anos de idade ia muito em missas e rezava terços ouvindo rádio com a minha avó. Aos 12 anos fui coroinha na igreja e era muito bagunceiro por sinal. A família era engajada na igreja e eu não saia de lá. Lembro também de ter muito medo do inferno e da tal “volta de cristo”.

Meu primeiro contato pra valer com a música foi tocando Timba, num grupo de pagode de um amigo da escola. Ele estava aprendendo a tocar Cavaquinho e me chamava para os ensaios do grupo. Eu mais atrapalhava do que realmente tocava. A partir daí comecei a me interessar por música.

É curioso, mas não me recordo exatamente dos meus primeiros contatos com o violão, só lembro que uma das primeiras músicas que aprendi foi Maria de Nazaré, tocada só a base com os acordes. Tenho a lembrança de mostrar essa música pra minha mãe, deveria ter por volta de uns 13 ou 14 anos.

Adolescência

Aos 15 anos, enquanto crismava já tocava violão nas missas de Quarta-feira, junto com um amigo que me acompanhava no Teclado. Dos 16 aos 18 anos fazia parte do grupo de jovens e de uma banda onde tocava Guitarra. Naquela época já fazíamos música instrumental com os temas católicos e salmos em ritmo de samba, irritando logicamente os padres. Foi justamente neste mesmo tempo que eu comecei a dar as minhas primeiras aulas de violão e enxergar na música um possível trabalho. Nessa época comecei também um namoro que 10 anos mais tarde daria em casamento. Tive nesses anos alguns curtos empregos e estágios como office boy, organizador de almoxarifado, auxiliar administrativo e alguns outros. Foi nestes anos também que conheci os meus melhores amigos, alguns decisivos para minha escolha de profissão.

Faculdade, a primeira tentativa

Aos 19 anos, junto com um desses amigos fui embora pra São Paulo estudar música. Enchemos a Variante velha do meu pai, inclusive com uma geladeira no bagageiro, e nos mudamos pra São Paulo. Alugamos um apartamento no Belenzinho, que poucos anos depois foi apelidado de a república dos maconheiros, mas quando isso aconteceu eu já não estava mais lá.

Era então 2005 e tive contato com o Jazz através das aulas na faculdade com Djalma Lima. Foi no 1° ano de graduação na Faculdade Cantareira que descobri também minha paixão pela Harmonia e pela Criação Musical. Mas essa experiência durou apenas um ano, pois rapidamente me endividei. Meus pais não podiam me manter em São Paulo e muito menos bancar minha faculdade. Eu dava aulas particulares aos sábados e domingos em S. J. Campos, mas nem de perto era o suficiente para bancar o custo. Em São Paulo eu não conseguia trabalho pois as aulas da faculdade eram espalhadas no período da manhã e tarde.

Foi um curto espaço de tempo mas muito intenso. Em contato profundo com uma enxurrada de novas informações, conheci novas pessoas, experimentei o impacto da reflexão artística e estive em diversas situações que me colocaram para repensar e questionar as bases dos meus fundamentos. O ano de 2005 foi importantíssimo.

Trabalhos e muito estudo

Endividado com 20 anos de idade, voltei para São José. Em 2006 montei um bar com um sócio que havia conhecido no mesmo ano… Coisa de gente jovem sem noção, foram diversos empréstimos para investir no negócio. Não durou nem 6 meses, e aí sim eu descobri o que era dívida de verdade. Desfiz a sociedade e voltei rapidamente para a música. Neste mesmo ano, enquanto dava muitas aulas e tovaca na noite, montei um pequeno estúdio de ensaio junto com outro amigo e passei a estudar com o Conrado Paulino. Duas vezes por mês colocava o violão nas costas e ia de moto pela Via Dutra até o Bairro do Bom Retiro em São Paulo. Estudar com o Conrado foi maravilhoso, ele foi responsável pela minha transição da Guitarra para o Violão. Foi uma época muito intensa de estudos. Dos 20 aos 30 anos a minha relação com a música foi muito conturbada. Eu estudava muito sozinho e fazia aulas picadas (já escrevi sobre estes processos aqui), pois não tinha como pagar nada contínuo. Estudei Violão Clássico com Marcílio Souza Lima, uma referência na Cidade. Participei de Festivais e fiz a escola prática da vida, tocando por um bom período na noite e fazendo parcerias maravilhosas.

Neste período de 10 anos da minha vida, também abandonei a música algumas vezes. Além do bar, tive outros negócios e trabalhei com muitas outras coisas, entre elas como corretor de imóveis, dá pra acreditar?! Aliás, trabalhar como corretor de imóveis me jogou no mundo da Internet, pois foi ali que aprendi a importância da comunicação digital.

Neste vai e vem, por dois anos, entre 2011 e 2013, fiz parte de uma cooperativa de aulas de música muito legal. Nos reunimos, uns 5 músicos, alugamos um espaço onde cada um tinha sua sala e promovíamos o trabalho em conjunto. Foi uma experiência bem interessante, sem hierarquias ou patrões. Tínhamos conflitos sim, mas dávamos conta de resolver. O projeto só não foi pra frente porque éramos todos muito jovens, a vida e a carreira de cada um foi tomando rumos diferentes!

Faculdade outra vez e novos projetos

Dos 25 aos 35 anos eu iniciei e parei vários cursos, entre eles o de Graduação em Educação Musical, que apesar da pausa de quase dois anos para me casar, consegui terminar em 2014. O esquisito é que até hoje não fui pegar meu diploma. Não entendo direito o motivo, mas talvez seja porque ainda não precisei dele.

Neste período fiz estágio no colégio SESI como professor de música e não me adaptei. Ao mesmo tempo integrei ao lado do meu amigo Marcio Oliveira um Duo de Violões, o Duo Brasileiríssimo. Viajamos bastante tocando em muitos teatros e palcos por uns 3 anos. O Duo ajudou muito a amadurecer meu processo de criação de arranjos e também me apresentou a função de produtor cultural, cargo que não quero nunca mais!

Nesta onda de produção cultural, em 2013 eu criei a 1ª Mostra Violonística Violões do Vale. Foi a primeira e única edição do evento, pois descobri que não gostava de produzir. Dois anos depois, em 2015 eu tentei atacar de produtor musical e criei um projeto Crowdfunder, pelo qual levantei recursos e gravamos o disco Na Madeira. Primeiro e único do Duo Brasileiríssimo, pois descobri pela segunda vez que não gostava de produzir. Este foi um projeto e tanto que mudou bastante minha vida musical. Falo mais dele aqui.

Internet

Da adolescência até a gravação do álbum do Duo eu vivi a música intensamente e algumas vezes inconsequentemente, motivado pelas minha ansiedade e pelos sonhos projetados. De projeto em projeto eu me exauria, pois assumia responsabilidades além do que suportaria e os resultados no final nunca me agradavam. Desanimava, desistia e começava tudo de novo. Faltou controlar a ansiedade e refletir com calma antes das decisões. Foram uns 15 anos assim e ao terminar a gravação do disco terminei também o trabalho com o Duo. Dei um tempo em projetos musicais passei a produzir para internet. E cá estou, 5 anos depois, ainda na internet, escrevendo e criando conteúdos sobre música, compartilhado um pouco do que sei através dos meus Cursos, sites, vídeos e lecionando para meus queridos alunos.

Aprendi a desacelerar e a decidir com mais cautela. Minha história pessoal tem muita influência da música porque ela não é apenas uma arte que aprecio, ela esteve presente e foi fundamental para direcionar minha vida em todos os momentos, seja na profissão, para por as pessoas no meu caminho ou para me ajudar a refletir existencialmente. Sou grato a essa arte maravilhosa e ainda tento compreender melhor sua influência na minha vida.

Este texto foi só um breve resumo, os detalhes, reflexões, lições e aprendizados. Pretendo compartilhar aos poucos aqui no blog, na medida em que eu mesmo for me compreendendo mais!

Sigo devagar e contínuo, obrigado por chegar com sua leitura até aqui! 🙂

Este post tem 5 comentários

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